A AYA Books é uma plataforma digital focada em democratizar o acesso à leitura por meio de audiolivros, eBooks e conteúdos exclusivos. Com curadoria cuidadosa e uso estratégico de tecnologia, a empresa oferece uma experiência prática, acessível e personalizada para leitores e ouvintes em diferentes momentos do dia.
Liderada por Laura Rocha Barros, vice-presidente de Produtos e Marketing, a AYA aposta em inovação, qualidade editorial e formatos que acompanham o estilo de vida contemporâneo. Com mais de 1 milhão de downloads e forte presença em eventos como a Bienal do Livro, a AYA se consolida como referência em leitura digital no Brasil.
Gabriel Mendes: A AYA Books tem se destacado com audiolivros premiados e conteúdos exclusivos. Como vocês enxergam o crescimento desse formato nos próximos anos? O que o público brasileiro está buscando nesse tipo de experiência de leitura?
Laura Rocha Barros: O crescimento do formato de audiolivros é inegável e estamos acompanhando de perto essa evolução no Brasil. O que observamos é uma busca por praticidade e flexibilidade. As pessoas têm rotinas cada vez mais dinâmicas e precisam de formatos que se integrem sem atrito ao seu dia a dia. É sobre otimizar o tempo: ouvir um livro enquanto se desloca para o trabalho, pratica exercícios, cozinha ou até mesmo realiza tarefas domésticas. O áudio permite que o consumo de conteúdo aconteça em momentos que antes não eram possíveis para a leitura tradicional.
Se olharmos para mercados mais maduros, como Suécia e Estados Unidos, o áudio já representa mais da metade do consumo literário. O Brasil, naturalmente, caminha nessa direção. Esse movimento se conecta diretamente com o boom do mercado de podcasts. Segundo a PwC, o setor deve crescer a uma taxa anual de 31% até 2025, alcançando US$ 3,5 bilhões. E a PodPesquisa 2024/2025 da ABPod revela que já temos mais de 31 milhões de ouvintes regulares no Brasil, com 40% consumindo esse tipo de conteúdo diariamente.
Os audiolivros se inserem perfeitamente nesse cenário, funcionando como uma ponte essencial entre o conteúdo literário e novos públicos, democratizando o acesso e ampliando o alcance da literatura de uma forma inclusiva, contemporânea e dinâmica. É sobre democratizar o acesso ao conhecimento e ao entretenimento, e é isso que o AYA Books busca incansavelmente.
Gabriel Mendes: A biografia do Lewis Hamilton, lançada como audiolivro exclusivo, ganhou destaque na Bienal. Como foi a concepção dessa ação e o que ela representa em termos de alcance e estratégia para atrair novos públicos?
Laura Rocha Barros: A ativação com o Lewis Hamilton foi uma estratégia pensada para romper barreiras e mostrar a versatilidade da leitura. A proposta era explorar o cruzamento entre o físico e o digital, demonstrando como a literatura pode ganhar novas camadas e se tornar ainda mais envolvente quando acessada em diferentes formatos.
O objetivo era convidar o público a se aprofundar na história desse atleta icônico sob uma nova perspectiva: a do audiolivro. Ao trazer um nome de tanto apelo como Lewis Hamilton em um formato inovador, mostramos que a literatura vai muito além do livro impresso e pode se conectar com as pessoas em diferentes propostas.
Gabriel Mendes: Como vocês têm observado a evolução do comportamento do leitor digital no Brasil? Existe um perfil predominante entre os leitores da AYA?
Laura Rocha Barros: O consumo de informação no Brasil está em uma fase de transformação acelerada, impulsionada pela conectividade e pela busca por praticidade. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (Instituto Pró-Livro, 2024) comprova isso: o número de brasileiros que leem pelo celular cresceu 75% entre 2019 e o último ano. Paralelamente, os audiolivros registraram um aumento de 23% no mesmo período. Isso é um indicativo fortíssimo de que o formato está se consolidando e se encaixando nos novos hábitos de consumo cultural da população.
No AYA, identificamos um perfil de leitor bastante diverso, mas com algumas tendências claras. A grande maioria está na faixa entre 25 e 44 anos, é digitalmente ativa, valoriza conteúdo de qualidade e busca soluções que unam entretenimento e desenvolvimento pessoal. Além disso, notamos um crescimento significativo de leitores mais jovens — estudantes do ensino médio e universitários — que priorizam formatos acessíveis como e-books, audiolivros e resumos.
A personalização é outro ponto crucial para o nosso público. Eles querem experiências que se adaptem ao seu estilo de vida, seja por meio de recomendações inteligentes, acesso via dispositivos móveis ou integração com outras plataformas. Isso nos impulsiona a inovar constantemente em tecnologia, usabilidade e na curadoria do nosso catálogo. Para nós, a evolução do leitor digital não é só sobre digitalizar o acervo, mas ampliar o próprio conceito de leitura, tornando-a mais fluida e integrada à vida das pessoas.
Gabriel Mendes: Durante a Bienal do Rio, vocês estão liberando 100 mil acessos gratuitos à biblioteca digital. Essa ação ambiciosa é parte de uma estratégia de longo prazo para a fidelização? Quais os primeiros sinais de impacto?
Laura Rocha Barros: Oferecer 100 mil acessos gratuitos à nossa biblioteca digital é uma ação que se alinha perfeitamente com a nossa missão de democratizar o acesso à informação e ao aprendizado. Nosso objetivo principal é transformar a curiosidade dos visitantes em um hábito de leitura duradouro.
Queremos que as pessoas não apenas experimentem, mas que descubram novos autores, novos gêneros e, principalmente, que percebam que o digital não é um substituto do impresso, mas sim uma ponte poderosa para ampliar o contato com a literatura.
As pessoas estão descobrindo a facilidade e a conveniência de ter uma biblioteca completa na palma da mão. Essa ação é um passo fundamental para tornar a leitura acessível, constante e presente no dia a dia de cada vez mais brasileiros.
Gabriel Mendes: Quais são os critérios editoriais e comerciais para selecionar os eBooks disponíveis na plataforma? Existe alguma linha temática ou perfil de obra que vocês buscam privilegiar?
Laura Rocha Barros: A nossa curadoria é pautada por uma combinação estratégica de relevância editorial e potencial de impacto para o nosso público. Não se trata apenas de ter um catálogo vasto, mas de oferecer conteúdo de valor que realmente faça a diferença na vida das pessoas e se alinhe com o propósito de democratizar o acesso ao conteúdo..
Nosso objetivo é garantir um acervo que seja ao mesmo tempo diverso, atual e relevante, e que responda às necessidades de um leitor que busca tanto entretenimento quanto aprimoramento contínuo.
Gabriel Mendes: Enquanto várias plataformas apostam em grandes catálogos, AYA tem se posicionado de forma mais curatorial e exclusiva. Como essa estratégia impacta o modelo de negócios e a relação com o público?
Laura Rocha Barros: A missão do AYA Books é clara: ser a menor distância entre o conteúdo e o consumidor, e isso passa pela democratização da leitura e do aprendizado. Como disse acima, o nosso objetivo é atender o público com um acervo diversificado e relevante.
Os resultados falam por si: ultrapassamos a marca de 1 milhão de downloads no início de 2025, além de um crescimento de mais de 160% na base de usuários no primeiro trimestre deste ano.
Com o público, a relação se fortalece pela confiança e pela relevância. Nossos usuários sabem que encontrarão um conteúdo de qualidade, selecionado a dedo, que atende às suas necessidades de informação e entretenimento. Essa curadoria gera fidelização e constrói uma comunidade engajada que valoriza a nossa proposta de valor.
Gabriel Mendes: Quais são as ações de marketing que vocês estão desenvolvendo atualmente? A AYA pretende criar seus próprios eventos ou encontros para fomentar a conexão com seu público leitor e ouvinte?
Laura Rocha Barros: Atualmente, nossas ações de marketing estão focadas em amplificar o reconhecimento da AYA e em fortalecer a conexão com nosso público, sempre alinhadas à nossa missão de democratizar o acesso ao conteúdo.
Gabriel Mendes: O que vocês enxergam como o próximo grande salto do mercado editorial digital nos próximos anos? Realidade aumentada, leitura interativa, inteligência artificial?
Laura Rocha Barros: O mercado editorial digital está em constante movimento, e o próximo grande salto virá da sinergia entre tecnologia e experiência humana. Acredito fortemente que a Inteligência Artificial será o principal motor dessa transformação.
Já estamos aplicando a IA de forma muito prática e com resultados significativos. Por exemplo, estamos utilizando a inteligência artificial para desenvolver resumos de livros – que passam pela curadoria humana antes de chegar até o público final. Esse formato otimiza o tempo do leitor e permite que ele absorva a essência de uma obra de forma mais rápida e eficiente.
Nosso foco em AYA é justamente usar a tecnologia para aprimorar a experiência do consumidor final, garantindo que o conteúdo chegue a cada vez mais pessoas de forma significativa e relevante. O futuro é de um mercado editorial digital que entende e antecipa as necessidades do leitor, oferecendo muito mais do que apenas livros: oferece experiências de aprendizado e entretenimento que se integram à vida.
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