Ruth Oliveira é escritora brasileira que começou sua trajetória literária publicando fanfics na internet. Ganhou notoriedade durante a pandemia, quando teve a chance de publicar um livro impresso por meio de editoras independentes.
Ruth desenvolveu uma comunidade fiel de leitores online, especialmente nas redes sociais, o que chamou a atenção de grandes editoras. Seu livro mais recente foi lançado pela Editora Alt, do grupo Globo, marcando um novo momento em sua carreira.
Gabriel Mendes: Me conta um pouco mais sobre a sua trajetória. Qual é o seu gênero literário? Fala um pouco mais das suas obras.
Ruth Oliveira: Eu comecei escrevendo fanfics, na verdade, disponibilizava as histórias na internet. Em 2020, ali no primeiro ano de pandemia, surgiu a oportunidade de publicar um livro físico através de uma editora independente, e a partir daí eu fui aumentando o público, mantendo também o público que já me acompanhava na internet. Cheguei à Editora Alt agora, meu primeiro lançamento saiu esse mês. E desde 2020, eu sempre vou às Bienais, tanto do Rio quanto de São Paulo.
Gabriel Mendes: Agora, me fala um pouco sobre essa formação de leitores, que é geralmente um desafio que os escritores enfrentam. Como você conseguiu fomentar essa comunidade?
Ruth Oliveira: Na verdade, eu postava as histórias na internet sem muito intuito de conquistar leitores fiéis, era mais uma necessidade de compartilhar as histórias e curiosamente, acabou criando uma comunidade muito forte e fidelizando leitores.
Os posts que eu fazia na época, no Twitter, criavam um vínculo profundo entre os leitores, as histórias e meu trabalho de autora. Quando eu lançava uma história nova, eles já tinham interesse porque acompanhavam meu trabalho. A partir da publicação dos livros, tentei manter essa estratégia, que inicialmente foi natural, mas depois se tornou mais pensada para interagir e atrair leitores. Tem funcionado.
Gabriel Mendes: E qual plataforma é onde você está mais presente?
Ruth Oliveira: Atualmente é o Instagram.
Gabriel Mendes: Você mencionou que agora está com a Editora Alt. Como foi essa transição do trabalho com editoras menores para uma editora maior?
Ruth Oliveira: Os livros que publiquei nunca foram totalmente independentes; sempre houve uma editora por trás, mas eram editoras menores e independentes. A maior diferença foi a proporção de tudo. Eu fiz graduação em Edição e Gestão Editorial, então eu já conhecia o caminho mais padrão, tradicional. Com editoras pequenas, era diferente. Em uma editora maior, há mais etapas, mais profissionais envolvidos. Além disso, as maiores diferenças são sem dúvidas em relação ao alcance e a divulgação que também são muito maiores.
Gabriel Mendes: Como um autor que está começando pode tirar proveito da Bienal?
Ruth Oliveira: É importante saber identificar quem é seu público-alvo. Tenho uma amiga que é publicada por uma editora independente e faz isso muito bem. Ela aborda o leitor certo, entrega material de divulgação, fala sobre a história. Se desperta interesse, apresenta o livro. Acho que é tudo sobre saber para quem você escreve e se comunicar com essas pessoas. Eu ainda estou aprendendo a fazer isso pessoalmente, não é fácil para mim. Mas a carreira de escritor exige isso, exige mais do que apenas escrever. Precisa aprender várias coisas sobre esse universo da escrita.
Gabriel Mendes: E sobre seu público? É majoritariamente jovem?
Ruth Oliveira: Sim, o meu público é jovem. Está ali no final do ensino médio e entrada na vida universitária. Ou seja, começo da vida adulta. Meus personagens conversam bastante com esse público. Há alguns leitores homens e também alguns mais velhos, mas no geral meu público é jovem e feminino.
Gabriel Mendes: Para quem quiser conhecer mais sobre suas obras, onde pode encontrar?
Ruth Oliveira: Meus livros estão disponíveis na Editora Violeta, na PS:, e agora o último lançamento na Editora Alt.
Gabriel Mendes: Tem algo que eu não perguntei e você gostaria de compartilhar?
Ruth Oliveira: Sim. É importante frisar para quem é escritor que essa é uma carreira solitária e desconfortável, muitas vezes desmotivadora. Mas eventos como a Bienal trazem um gás, renovam as energias. Encontros com leitores e outros profissionais do livro são essenciais para manter a motivação. A Bienal tem esse poder pra manter essa força que é importante pra todos nós que somos escritores.
Gabriel Mendes: Falando em formação, você mencionou sua graduação. O quanto você considera importante o escritor investir na sua formação?
Ruth Oliveira: Com certeza. A carreira de escritor não tem aquela jornada muito bem definida. Não é como uma engenharia da vida, você vai, estuda as matérias, termina o curso de engenharia e pronto, você já tem o passo a passo definido.
O importante é você aperfeiçoar a sua escrita, você aprender ferramentas de marketing, aprender tudo o que puder te auxiliar nessa jornada, não só na escrita em si, não só no texto em si, para conseguir alcançar o seu público, para organizar o seu tempo, para otimizar o seu trabalho como um todo e não perder a força de vontade, porque a gente sabe que essa vida de escritor é bem sofrida.
Gabriel Mendes: E sobre sua entrada na Editora Alt, como foi esse processo?
Ruth Oliveira: O caminho mais comum é via agente, mas no meu caso, foi através dos meus leitores. Eles usavam uma hashtag no Twitter na época das atualizações das fanfics, e eles usavam tanto que essa hashtag ficava entre os trending topics. A editora ficou curiosa, foi atrás, descobriu o que era, leu meus textos e começou a acompanhar meu trabalho. Mas não foi imediato, ela continuou acompanhando por alguns anos, até a gente começar a trabalhar juntos. Mas eu acho que ter um agente no Brasil é difícil, não é todo autor que vai conseguir. Então, se você não tem um agente, é importante você fortalecer a sua comunidade, sua base literária, os seus leitores, porque são eles que fortalecem a nossa jornada, né. Eles que fazem a gente ser visto. Então, tudo gira em torno deles. O importante é a gente ser visto por eles, conquistar eles através do texto, através da gente também. E as coisas vão acontecendo, mas, claro, a gente tem que correr atrás.
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