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Por que o Clube de Leitura Palavra Escrita tem atraído tantos leitores?

Por Ângelo Cláudio

Há clubes de leitura que funcionam como uma lista mensal de tarefas. E há aqueles que devolvem ao livro sua dimensão mais viva: a de experiência compartilhada. O Palavra Escrita se posiciona nesse segundo grupo e tem um dado que ajuda a explicar sua força: mais de 97% dos participantes afirmam que passaram a ler mais desde que entraram no clube.

A intermediação dos encontros é feita por Isabel Clemente, carioca formada em Jornalismo pela PUC-Rio e mestre em Escrita Criativa pela Royal Holloway, University of London e fundadora da Editora Giacombelo. Antes de publicar o primeiro de seus três livros, Isabel construiu uma carreira consistente na imprensa: trabalhou na Folha de S.Paulo, na revista Época e no Jornal do Brasil, como repórter, editora, colunista e correspondente em Londres.

Sua trajetória ajuda a entender o tipo de conversa que um clube de leitura pode produzir. Isabel escreve sobre comunicação, linguagem e o impacto das histórias na vida privada, corporativa e coletiva. Parte de uma convicção simples, embora profunda: palavras e a forma como são organizadas em um texto mudam a maneira como as pessoas enxergam o mundo.

Esse é o ponto central do Palavra Escrita. Ler em grupo cria um compromisso discreto com o livro, mas sobretudo oferece algo que a leitura solitária não entrega: repertório de interpretações. Um romance que parece lento para um leitor pode ganhar força quando outra pessoa identifica ali um conflito familiar, uma camada histórica ou uma escolha de linguagem que havia passado despercebida. A conversa não substitui a experiência individual; ela a amplia.

O resultado apontado pelo Palavra Escrita sugere que o maior concorrente do livro talvez não seja a falta de interesse pela literatura, mas a falta de contexto para sustentá-la na rotina. Quando a leitura encontra conversa, regularidade e pertencimento, ela deixa de ser uma intenção adiada.

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