Por Luiza Peixoto
Combinar com amigos para comprar o livro no mesmo dia e horário, só para chegar ao primeiro lugar de uma categoria, é uma aposta arriscada: a Amazon proíbe manipular o serviço Kindle e pode tirar o título do ar. Se acontecer, existe caminho para salvá-lo
O que é o bestseller artificial
A tática é simples: o autor combina com amigos, familiares e seguidores ou até paga por serviços para comprarem o livro todos juntos, em um dia e horário marcados. O ranking da Amazon pesa mais as vendas recentes e é atualizado a cada hora, segundo o texto de ajuda do KDP reproduzido pelo autor David Gaughran. Por isso, um pico concentrado de compras pode levar o livro ao topo de uma categoria por algumas horas.
Com a tela do primeiro lugar na mão, o autor passa a se apresentar como “autor bestseller da Amazon”. O truque funciona como vitrine, mas a Amazon tem outra leitura do assunto.
Quem publica no KDP aceita os Termos e Condições do KDP e as Diretrizes de Conteúdo. Nas diretrizes, a Amazon afirma que autores e editoras são responsáveis por cumpri-las e que ela se reserva o direito de remover um livro à venda quando entender que ele causa uma experiência ruim ao cliente. Também diz que usa aprendizado de máquina, automação e equipes de revisores humanos, e que investiga qualquer livro assim que recebe uma denúncia.
Sobre manipulação, a base está nas políticas do KDP. Nos processos de arbitragem que abriu em 2017 contra prestadores de serviços de “turbinar” rankings, a Amazon sustentou que essas políticas vetam qualquer manipulação do serviço Kindle. Alegar um selo de bestseller, como muitas empresas fazem, que o livro não conquistou nos metadados (título, descrição, palavras-chave) também aparece entre as violações listadas pelos guias do setor; confira o texto oficial nas Diretrizes de metadados.
O que a Amazon combate é a manipulação, como serviços que prometem inflar o ranking. Quanto mais artificial parecer o padrão de vendas, maior o risco, e quem decide se houve manipulação é a Amazon.
A detecção pode não ser imediata, mas ela existe, e a Amazon já foi atrás de quem manipulou rankings:
O estrago pode passar do livro para a conta. Quando uma conta é encerrada, segundo guias de recuperação, todos os títulos saem de venda e os pagamentos de royalties ficam retidos. Qualquer pessoa também pode denunciar um livro que ache que viola as regras.
Há ainda o lado dos falsos positivos. O autor David Gaughran relatou casos de autores que receberam um aviso padrão de manipulação de ranking, perderam o ranking e, depois da revisão, ouviram da Amazon que o aviso tinha sido enviado por engano. Por isso, guardar provas de que suas vendas foram reais ajuda mesmo quando você não fez nada errado.
O que você deve fazer é subir novamente o livro que foi excluído da Amazon. Esse é o preço a se pagar por usar serviços não autorizados pela Amazon.
O que separa um lançamento forte de um ranking artificial é a origem das vendas: leitores reais, comprando por conta própria, em intervalo de tempo grandes, com dinheiro deles. Algumas saídas dentro das regras:
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