ENTREVISTA

“Acho que o autor tem que ser uma peça fundamental na divulgação, trabalhar em parceria com o marketing da editora e se manter ativo nas redes sociais”

Milena Lourenço é responsável pela área de Marketing da HarperCollins Brasil, uma das maiores editoras do mundo, com presença forte no mercado brasileiro. Atuando em diversos segmentos, a HarperCollins se destaca por seu catálogo abrangente que vai da literatura infantojuvenil aos romances contemporâneos, além de possuir selos importantes como a HarperKids, voltado para o público infantil, e o selo Pitaya, com foco em literatura jovem adulta.

Gabriel Mendes: Quais foram suas impressões nos primeiros dias da Bienal 2025?

Milena Lourenço: Os primeiros dias da Bienal foram extremamente movimentados, muito jovens e no sábado inclusive todos os ingressos foram esgotados. Essa foi uma grande surpresa pra todos nós. Ficamos muito felizes com esse movimento e com essa procura de tantas pessoas pelos nossos livros.

Gabriel: Imagino que vocês investiram muito para chamar atenção esse ano e colocar um estande desse tamanho na Bienal né?

Milena Lourenço: Sim, o estande da HarperCollins é um dos maiores do evento, com aproximadamente  400 m², e dessa vez nós criamos um ambiente mais imersivo para o leitor se conectar com as obras. Também apostamos em algumas tendências, como por exemplo os livros para colorir, que hoje seguem uma tendência global e que aqui também estão sendo muito procurados.

A grande maioria dos nossos autores tem participado no estande, conversando com leitores, dando autógrafos e tirando fotos — o que aproxima muito o público leitor.

Gabriel Mendes (Entrevistador):  Na Bienal o público jovem se faz presente de maneira muito expressiva, como a HarperCollins atua para conquistar esse público? 

Milena Lourenço: De fato, o público jovem é predominante na Bienal do Rio. E pensando nesse público infantojuvenil, nós temos a HarperKids, onde fazemos parcerias com escolas e temos um catálogo específico para crianças e adolescentes.

Além disso, para uma faixa etária um pouquinho maior, a gente tem um selo chamado Pitaya, que é um selo jovem adulto, e aí já pega uma faixa de 14, 15 anos. E aí, dentro desses selos, a gente publica vários gêneros literários. Então, a gente tem essas divisões. A gente também faz um trabalho também muito forte de parcerias com escolas que conecta com muitos estudantes através da Harper Educação. Então, acho que a gente consegue abraçar todos esses grupos.

Gabriel: E sobre o nosso portal, tem muito escritor que é de Young Adult. Você falou do selo Pitaya. Qual, geralmente, você sente que poderia ser um caminho se o escritor quiser ser publicado pela editora? Tem alguma forma de chegar na HarperCollins?

Milena Lourenço: Olha, geralmente nossos autores são publicados via agente literário. Mas a gente tem um prêmio que fazemos em parceria com a Amazon. Inclusive, a premiação saiu na sexta-feira, que é um prêmio para encontrar novos autores de Young Adult. 

Então, a pessoa se inscreve, tem que colocar o livro lá na Amazon. Essa foi a segunda edição. O primeiro livro foi publicado no ano passado. O vencedor, inclusive, está aqui — participou do lançamento da Pitaya em 2024. 

Então, a gente tem essa iniciativa com a Amazon para encontrar novos autores de livros de jovens. Acredito que é uma das maiores oportunidades que a gente oferece para encontrar novos escritores. Ou seja, mesmo sem ter agente, a pessoa só precisa se inscrever no prêmio e sua obra será avaliada por uma série de processos e etapas. No final, o vencedor tem o livro publicado com a gente, na Pitaya.

Gabriel: Perfeito. E em relação à parte de marketing, que é a sua especialidade, você acha que o escritor, hoje, precisa estar presente nas redes sociais? O que você recomenda que o escritor precisa fazer para chamar a atenção e conseguir ter maiores resultados?

Milena Lourenço: Eu acho que é importante estar nas redes sociais para falar sobre o livro. Claro que a editora tem um papel super importante de divulgar o livro. Mas acho que o autor também tem que participar desse processo. 

E acredito que quando existe uma parceria entre o autor e a editora, o autor e o marketing da editora, tem tudo para dar certo. Então, aparecer, promover sua obra… Acho que o autor tem que ser uma peça fundamental nessa divulgação, trabalhar em parceria com o marketing e se manter ativo nas redes sociais.

Gabriel: E a última pergunta é: um autor, hoje, que está começando sua carreira, como você acha que ele pode se beneficiar, usufruir da melhor forma da Bienal? O que ele pode estar fazendo num evento como esse?

Milena Lourenço: Eu acho que conversando com o público, né? Acho que é um dos únicos lugares onde qualquer autor consegue ter acesso a todos os públicos. Isso que eu comentei, né? 

A gente tem autoras aqui que ficam direto na Bienal conversando — às vezes, a pessoa não conhece o livro, passa a conhecer aqui. Acho que é o melhor lugar, tanto para a editora quanto para o autor, para ter o contato direto com o público. A gente descobre muita coisa aqui, e eles também querem descobrir novos autores. Então, acho que esse contato é super importante.

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