Nos últimos meses, a Amazon intensificou o combate a avaliações consideradas suspeitas em livros publicados na plataforma pelo KDP. Vários autores nos escreveram para perguntar os motivos. Muitos foram surpreendidos ao perceber que seus títulos perderam comentários, tiveram notas congeladas ou mesmo foram bloqueados. Mas afinal, o que está acontecendo? E como isso afeta diretamente o trabalho de quem publica na KDP? Escrevemos para a Amazon e obtivemos algumas respostas.
Para entender o cenário, é preciso lembrar que a Amazon trata avaliações como um indicador de confiança. O algoritmo entende que, se muitos leitores reais opinam sobre uma obra, essa obra merece ser mostrada para mais pessoas. Quem tem 700 avaliações, por exemplo, consegue uma renda mensal de mais de R$ 10 mil reais por mês graças ao impulsionamento da Amazon. Por outro lado, quando comentários parecem artificiais de pessoas que compraram e sequer leram o livro — a plataforma interpreta como tentativa de manipular rankings.
Até aqui, nenhuma novidade. O que mudou é o nível de rigor: a Amazon está bloqueando essas avaliações . Em alguns casos, avaliações positivas feitas por amigos, familiares ou pessoas amigos de grupos de lançamento — mas que não leram o livro — acabam sendo apagadas sem aviso prévio.
E isso preocupa os escritores por um motivo simples: em estratégias como Bestseller, lançamentos rápidos e campanhas para alcançar o topo da categoria, as avaliações iniciais acontrecem meio que naturalmente por pessoas do grupo. E só um delas já pode ser responsável por bloquear o livro. Além disso, perfis que deixam elogios genéricos, repetitivos ou sem qualquer sinal de leitura real costumam ser identificados pelo sistema como “review manipulation”.
O grande risco aqui é confiar em práticas antigas que já não funcionam mais. Muitos autores incentivavam grupos de WhatsApp de lançamento Bestsellers, amigos ou seguidores a “deixar cinco estrelas para ajudar”. Hoje, isso se tornou um gatilho para alerta. A Amazon entende esse movimento como interferência, não como engajamento orgânico.
Mas há uma boa notícia: é totalmente possível construir avaliações legítimas e seguras — e isso, na verdade, fortalece ainda mais a reputação do autor. A regra de ouro agora é: quem avalia precisa ter lido o livro. E o texto da avaliação precisa refletir essa leitura. Comentários genéricos como “Ótimo livro, recomendo!” são cada vez mais filtrados, enquanto avaliações mais ricas, que mencionam capítulos, temas ou aprendizados, passam tranquilamente.
Para os escritores, o caminho é educar a própria audiência. Em vez de pedir “me avalie com cinco estrelas”, o ideal é convidar o leitor a deixar uma opinião sincera sobre a experiência. Não importa se é elogio ou crítica: a Amazon valoriza autenticidade, e o mercado também.
A verdade é que essa mudança representa uma oportunidade. Livros com avaliações reais tendem a ter vida mais longa, vendas consistentes e reputação sólida. Quando as regras apertam, quem trabalha de forma ética se destaca. E, na Amazon, vencer o algoritmo sempre começa por escrever — e conquistar — leitores de verdade.
