ENTREVISTA

Skeelo: a missão de democratizar a literatura

Nesta entrevista conversamos com Victor Meinberg, Chief Revenue Officer do Skeelo, uma das maiores plataformas de leitura digital do Brasil. Ele revela os bastidores das parcerias com grandes empresas, os hábitos do leitor brasileiro, o papel da curadoria e o crescimento dos audiolivros
👉 Uma conversa imperdível para quem quer entender o futuro da leitura no país.

Gabriel Mendes: A primeira pergunta que eu gostaria de fazer é se você pudesse explicar melhor o que o Skeelo realmente faz em relação ao mercado editorial, em relação aos seus serviços, e como alguém pode usufruir da plataforma.

Victor Meinberg:

O principal produto do Skeelo é uma parceria com outras empresas. Hoje, no Brasil, são 190 empresas que trabalham com a gente. Para os assinantes dessas empresas, nós fazemos a distribuição de um livro — seja no formato de e-book ou audiobook — por mês.

Funciona assim: se você é cliente da Claro ou da Vivo, por exemplo, pode baixar o app do Skeelo. O sistema identifica que você tem esse benefício e libera o acesso a um livro por mês. A gente sugere um título, mas a pessoa pode trocar por qualquer outro dentro de um acervo de mais de 10 mil livros, sem custo adicional. Esse é nosso principal modelo.

Gabriel: E como é feita a curadoria desse acervo? Como vocês escolhem as obras?

Victor:
 A gente tenta ter o máximo de conteúdo possível. Mas, como operamos em grande escala — hoje, são cerca de 160 milhões de brasileiros com acesso potencial ao Skeelo —, precisamos negociar os títulos com editoras, que por sua vez negociam com os autores. Nosso objetivo é sempre ter o máximo de diversidade, e já temos mais de 10 mil livros. Ainda assim, não conseguimos ter o mercado inteiro representado, mas estamos ampliando continuamente.

Gabriel: E um autor independente, consegue cadastrar sua obra na plataforma?

Victor:
 Hoje não. A obra precisa vir por meio de uma editora parceira nossa. Mas é algo que podemos considerar no futuro.

Gabriel: Vi que vocês têm iniciativas voltadas para educação. Existem parcerias com escolas?

Victor:
 Ainda não temos parcerias diretas com escolas, mas está no nosso planejamento. Em alguns casos, parceiros nossos têm relações com escolas — por exemplo, em projetos de distribuição de Wi-Fi — e acabam incluindo o Skeelo nessas iniciativas. Mas, por enquanto, não é algo que fazemos diretamente.

Gabriel: Qual a diferença entre o Skeelo e o Skoob?

Victor:
 O Skoob é uma rede social de livros. Nele, você avalia, resenha e compartilha suas leituras com outros usuários. É onde você organiza sua estante e acompanha leituras.

Já o Skeelo é onde o consumo do livro acontece — é a plataforma de leitura mesmo. Nós adquirimos o Skoob no ano passado (2024) e estamos estruturando melhorias nas duas plataformas, com bastante novidade por vir.

Gabriel: E sobre o comportamento do público? Vocês notam algum padrão entre os leitores?

Victor:
 Sim, o leitor de smartphone tende a ser mais jovem. Mas é um público diverso. Temos usuários de todos os tipos: gente que é fanática por romance, outros que só leem negócios… Hoje, somando as duas plataformas, são 2,1 milhões de usuários ativos mensais e cerca de 21 milhões de downloads acumulados. Então há uma variedade muito grande de perfis e comportamentos.

Gabriel: Tem algum gênero literário que domina em consumo?

Victor:
 Sim, romance é o campeão ultimamente. Não é com muita folga, mas está um pouco à frente dos outros.

Gabriel: E sobre a Bienal do Livro? Como o Skeelo enxerga esse evento literário?

Victor:
 A Bienal é o nosso principal evento anual. É a oportunidade de ter contato físico com a nossa comunidade, que normalmente se relaciona com a gente só no digital. Isso cria uma comunidade muito engajada. Quero cada ano aumentar nossa participação.

Temos ações como o Skeelo Talks, onde trazemos influenciadores e nomes relevantes do mercado para conversar com os leitores.

Este ano, lançamos também o SkeeGame, que é uma série de quizzes com brindes. Seja acertando ou errando, a pessoa ganha um prêmio. São diversas iniciativas para se conectar com o nosso público. Essas ações ajudam muito na conexão com o público.

Gabriel: O formato principal é e-book, mas vocês também oferecem audiolivros, certo?

Victor:
 Sim, temos os dois. O audiolivro tem uma taxa de engajamento maior, mas está disponível somente nos planos mais premium — que são um pouco mais caros. A maioria dos nossos conteúdos estão em formato de e-book e a maior parte das pessoas tem acesso a esses e-books no momento.

Gabriel: E uma pergunta que interessa a quem nos acompanha: editoras pequenas ou médias podem fazer parceria com o Skeelo?

Victor:
 Com certeza. Temos uma equipe de conteúdo focada nisso. No nosso site há um formulário de contato para editoras, e a partir daí iniciamos a negociação. Depois vem o compartilhamento dos ativos, e o processo segue seu curso natural.

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